Indiana Jones

Indiana Jones

Fevereiro 8, 2020 0 Por Francisco Ramalheira
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Se há ator que, nos anos 90, estava quase todos os domingos na nossa televisão, esse ator era Harrison Ford. Para mim, este senhor atingiu a imortalidade personificando dois dos mais carismáticos personagens de sempre da história do cinema: Han Solo e… Indiana Jones. É sobre este último que hoje nos debruçamos:

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Como nasceu Indiana?

Pois bem, a mãe e o pai de Indiana amavam-se muito e numa noite de louca paixão deitaram-se e…

Sendo um fã confesso dos westerns que pululavam que nem cogumelos no Holywood dos anos 30 e 40, George Lucas sempre quis criar a sua versão destes filmes de ação e aventura. Assim, em 1973 o na altura jovem e desconhecido cineasta escreveu The Adventures of Indiana Smith, uma fita de aventura polvilhada com momentos de humor com a qual Lucas queria homenagear uma das eras douradas do cinema.

Tal como em Star Wars, Lucas trabalhou neste projeto com Philip Kaufman. No entanto, o empreendimento foi paralisado quando Clint Eastwood contratou Kaufman para produzir o roteiro de um dos seus filmes. E Indiana Smith ficou em banho-maria. Ou em carbonite, se preferirem.

Em maio de 1977, Lucas estava de férias, fugindo do estrondoso sucesso causado pelo primeiro Star Wars, tendo como companhia um rapazinho que dava pelo nome de Steven Spielberg, que acabara de lançar um filme com algum sucesso chamado Encontros Imediatos de Terceiro Grau. Foi nestas férias que Spielberg confessou a Lucas o seu interesse em produzir um filme de ação, de preferência com a chancela James Bond. Foi também nestas férias que George Lucas revelou ao seu amigo o tal projeto que em 1973 tinha ficado na gaveta. No final das férias, os dois compinchas já tinham um esboço do enredo que, mais tarde, se transformaria no filme “Raiders of the Lost Ark”, que no nosso país ficou conhecido como “Os Salteadores da Arca Perdida”.

Indiana Jones no grande ecrã

Pouco tempo depois de terem o guião pronto, Lucas e Spielberg fecharam contrato com a Paramount Pictures para o lançamento de cinco filmes sobre o personagem criado pelo tio Lucas que, entretanto, perdera o apelido, sendo agora conhecido com Indiana Jones.

“Os Salteadores da Arca Perdida” estreou em 1981, colocando Indiana Jones contra um grupo de nazis que tinham como nobre missão encontrar a Arca da Aliança, que Adolf Hitler acreditava ser a chave para tornar o seu exército invencível. Cabe ao nosso amigo professor de arqueologia impedir que o tipo de bigodinho sensual se apoderasse de tão poderoso artefacto.

“Indiana Jones e os Salteadores da Arca Perdida” transformou-se no filme de maior bilheteria do ano, arrecadando 389 925 971 dólares, sendo considerado um dos maiores filmes da história. Foi nomeado para nove Óscares em 1982, ganhando quatro (Melhor Direção de Arte, Melhor Edição, Melhor Som, Melhores Efeitos Visuais). Indiana Jones era a nova coqueluche do cinema mundial e Harrison Ford tinha (mais) um papel que lhe garantiria a imortalidade. Indiana Jones é, indubitavelmente, o mais famoso portador de um chicote, fora da Indústria Pornográfica. Se isto não é prestigio…

Este êxito levou a que fosse inevitável o aparecimento de sequelas.

Assim, em 1984 é lançado “Indiana Jones e o Templo da Perdição”, pelicula muito mais obscura e violenta — a cena que o coração é arrancado do peito ainda hoje me causa um calafrio na omoplata, — apresentando-se como uma prequela do primeiro filme.

Já em 1989 é lançado “Indiana Jones e a Grande Cruzada”, no qual Indy e o seu pai (protagonizado por um tal de Sean Connery) vão atrás do Santo Graal, tendo na sua peugada, uma vez mais, os nazis. Neste filme Spielberg considerou que o tema do Graal era muito etéreo, pelo que incluiu uma subtrama entre pai e filho afirmando que “o Graal que todos procuram pode ser uma metáfora para a busca pela reconciliação que Indiana e o seu pai procuram para a sua relação”. Bonito.

Este terceiro filme é o meu favorito, pois entendo que é o que mistura de forma mais harmoniosa uma boa aventura, uma narrativa empolgante, momentos de introspeção e de transmissão de valores e… humor.

O Humor em Indiana Jones

Volvidos todos estes anos da estreia do primeiro Indiana Jones, é fácil perceber o seu sucesso, ou não fosse obra da mente fervilhante de dois dos cineastas mais geniais que Hollywood já pariu: Lucas e Spielberg. E analisando a carreira destes dois senhores, podemos facilmente concluir que, em vários dos seus projetos, conseguem misturar de forma sublime os momentos sérios com os de diversão. E é, também por isso, que os seus filmes são tão acarinhados: o humor é um balsamo que não só nos diverte e entretém, como também nos ajuda a ultrapassar os momentos mais difíceis.

Um dos pontos fortes dos filmes do nosso amigo Indiana era o facto de haver uma mistura hábil dos momentos de aventura e porrada nos nazis com momentos de Humor, muitos deles subtis, mas que trazem valor acrescentado ao filme.

Recordo com particular afeição uma cena no primeiro filme em que um inimigo do Indy exibe de forma gabarola as suas habilidades e truques com uma espada na mão, com o intuito de amedrontar o arqueólogo mais másculo de sempre. Indy saca calmamente da pistola do coldre, alveja o exibicionista e acaba aí com o espetáculo circense.

Mas a melhor cena é no terceiro filme, quando Adolf Hitler e os seus comparsas nazis procuram desesperadamente pelo Santo Graal, querendo a todo o custo por as mãos no caderno do pai de Indy, que é o maior estudioso na matéria. A certa altura, Indiana Jones vê-se no meio de uma parada militar nazi e, no meio da confusão, dá de caras com o adorável ditador sanguinário, que lhe tira o caderno da mão, assina-o e devolve-o a Indy, pensando que o nosso amigo era apenas um fã da sua doutrina antissemita que queria o seu autógrafo. Mal sabia o irrascível facínora que tivera nas suas manápulas o documento que tanto procurava.

Indiana Jones no século XXI

Terá a trilogia do nosso amigo Indy reagido bem ao teste do tempo? As opiniões dividem-se, mas eu defendo que sim: os filmes continuam bestialmente divertidos e o carisma de Indiana Jones é intemporal.

Em 2008 foi lançado o quarto filme da série (Indiana Jones e a Caveira de Cristal), que foi criticado por inúmeros fãs. “Já não é a mesma coisa”, choramingavam uns. “Perdeu a mística e a essência da trilogia original”, diziam outros.

O veredicto do Caca? Sim, está longe do nível da trilogia dos anos 80. Mas não deixa de ser um bom filme. Mas pode ser a minha veia de fã a falar. Eu até veria de bom grado um “Indiana Jones e o Andarilho Perdido”, “Indiana Jones e a Algália da Perdição” ou “Indiana Jones e a Dentadura de Cristal”, títulos que são bem plausíveis face à demora que o quinto filme está a demorar a sair. É que o nosso amigo Harrison Ford já não vai para novo.

Embora para os fãs de Indiana Jones (e de Star Wars, já agora) seja imortal.

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