Star Wars

Star Wars

Julho 19, 2019 0 Por Francisco Ramalheira
Partilhai e espalhai a mensagem gambuziana
Favor clicar

Star Wars é a epopeia espacial criada por George Lucas que todos ao início condenavam ao fracasso e à obscuridade e que, contrariando todas as expetativas, se tornou num êxito planetário e num dos nomes mais famosos da cultura pop. Apesar de mais ninguém acreditar no sucesso de Star Wars, Lucas nunca esmoreceu e não recuou na decisão de transformar em filme o seu argumento aparentemente simples do Bem contra o Mal, tendo o Espaço como pano de fundo e inúmeras criaturas bizarras como personagens. Hoje é “só” uma das mais aclamadas obras da sétima arte.

Façam lá o favor de tirar daqui as devidas ilações quanto a “não desistirem dos vossos sonhos!” ou de “acreditem sempre em vocês!”. São frases motivacionais muito clichés, mas não perdem força e valor por isso.

O sucesso de Star Wars

O primeiro filme foi lançado em 1977, tornando-se, inesperadamente, um incrível fenómeno mundial e um ícone da cultura popular. Foi o filme “estranho” de George Lucas o responsável pelo início da “era dos blockbusters”, ou seja, obras cujo exacerbado sucesso de bilheteira é de tal ordem que os filmes se transformam em franquias, sendo criado à sua volta uma imensidão de merchandising, sendo criados todo o tipo de produtos e serviços com a chancela Star Wars. Quem nunca teve umas cuecas com a farfalheira do Chewbacca não viveu verdadeiramente. Aconselho vivamente.

A desconfiança sobre o primeiro filme foi de tal ordem, que George Lucas concluiu o filme original com um final que seria satisfatório para o caso de não haver viabilidade financeira para outros filmes Star Wars. Felizmente, o sucesso tremendo do filme viabilizou o lançamento da trilogia inicialmente idealizada pelo xôr George, com The Empire Strikes Back e Return of the Jedi, a serem lançados com intervalos de três anos. Uma palavra de apreço para a estrondosa banda sonora da autoria da lenda viva que é John Williams, que criou para Star Wars um conjunto de melodias que se tornaram mundialmente conhecida até por quem nunca assistiu aos filmes. O trabalho do velho John foi, inclusive, agraciado pelo American Film Institute como a mais memorável banda sonora da já longa História do cinema. Coisa pouca.

Esta primeira trilogia tem como personagens principais um dos trios mais famosos da história do cinema: Luke Skywalker (Mark Hammil), Han Solo (Harrison Ford) e a Princesa Leia (Carrie Fischer), que lutam na Aliança Rebelde para derrubarem o Império que controla a Galáxia. Um dos homens fortes do Imperador é um tal de Darth Vader, um dos vilões mais amados da Ficção, sendo responsável também por um dos plot twists mais famosos da História do cinema. Debaixo de uma aparente luta banal entre o Bem e o Mal, Star Wars introduziu o conceito da Força, cujas ramificações filosóficas, éticas, religiosas  e ambientais são muito mais profundas do que possa parecer à primeira vista, sendo criado um verdadeiro culto à volta deste conceito e da sua aplicabilidade na nossa sociedade.

O cartaz de cinema do filme que marcou a História desta indústria

Star Wars ao longo dos anos

Depois de 16 anos sem filmes novos lançados, uma nova trilogia começa a ser lançada em 1999 com The Phantom Menace, relatando a transformação do talentoso Anakin Skywalker no tenebroso Darth Vader, enquanto acompanha a queda da Ordem Jedi e da República Galáctica, sendo substituída pelo malévolo Império. Embora esta trilogia de prequelas tenha recebido reações mistas tanto da crítica especializada como do público, os filmes foram sucessos de bilheterias e receberam indicações ou ganharam prémios nos Óscares. Pessoalmente, acho o primeiro filme bastante morno, mas The Revenge of Sith é um dos meus filmes favoritos da sétima arte.

Em 2012, a The Walt Disney Company comprou a Lucasfilm por uma batelada de dinheiro, anunciando uma nova trilogia de filmes, que ocorre após o Regresso de Jedi, confirmando no elenco muitos dos atores da trilogia original, nomeadamente os já citados Luke Skywalker (Mark Hammil), Han Solo (Harrison Ford) e a Princesa Leia (Carrie Fischer).

Devo confessar que foi mais forte do que eu, e quando soube desta boa nova soltei uma pinguinha.

Apesar de algumas críticas (especialmente ao último filme), a verdade é que o derradeiro filme desta trilogia será, sem dúvida, um dos sucessos de 2019. Não espero nada menos do que um filme absolutamente espetacular. Sem pressão, malta.

Talvez seja este um dos “problemas” dos últimos Star Wars: os fãs são tantos e tão exigentes que as suas exacerbadas expetativas acabam por nunca serem cumpridas, destilando ódio na internet quando a sua franquia favorita não leva o rumo que eles acham que tem de levar.

É o preço do sucesso.

Mas fará sentido perdermos energias com entretenimento só porque não leva o rumo que idealizamos? Quão triste é dedicarmos tanto tempo a temas tão frívolos como estes? Quão vazia tem de ser a nossa vida para ficarmos genuinamente perturbados com um abaixamento de qualidade da nossa série favorita? E quão deprimentes temos de ser para, enquanto vemos um filme ou uma série, em vez de estarmos a desfrutar da experiência, encontramo-nos constantemente à procura de erros, para depois podermos polvilhar as redes sociais com a nossa indignação? Dizer mal é assim tão importante e libertador que nos impeça de apreciar as coisas boas da vida?

Enquanto meditam nestes temas tão profundos, eu gostaria de dizer que o tipo que resolveu que era boa ideia meter o Luke Skywalker com personalidade de um coninhas de sabão no último filme deveria ser açoitado por um chicote em chamas enquanto lhe enfiam uma bigorna particularmente pontiaguda pelo mesmo local onde se metem os supositórios.

Quando o Caca conheceu A Guerra das Estrelas

Tendo nascido em 1988, não pude obviamente vivenciar a revolução que a trilogia original trouxe ao cinema. As minhas primeiras recordações destes filmes é ver uma espécie de tapete vivo que grunhe como se tivesse prisão de ventre (mais tarde vim a descobrir que se chamava Chewbacca), o “piu piu” das armas de uns tipos de branco que pareciam feitos de peças de Lego e o facto do “mauzão” ser um tipo gótico e que falava através de um escafandro, padecendo claramente de um avançado estado de asma .

Recordações básicas e rudimentares, eu sei. Mas uma pessoa não escolhe as memorias que retém dos tempos de puto.

Confesso que os filmes de Star Wars nunca me chamaram a atenção. A premissa não me atraia por aí alem e o tapete que grunhia parecia-me claramente inverosímil e pateta. No entanto, tudo mudou na antecâmara da estreia do Episódio 2 (The Clone Wars) em 2002. Lembro-me de estar em casa doente e que, para abrir o apetite para o filme que ia estrear, passou algures num canal português o primeiro filme. Lembro-me de que, na época, deveria estar a estudar matemática, pelo que qualquer oportunidade de distração era recebida com entusiasmo.

Deixa-me cá ver um pouco desta velharia para ver se percebo a razão de tanto histerismo à volta de tipos em roupão a lutar com espadinhas de luzes, pensei eu, inocentemente.

E percebi.

Sim, o filme era de 1977 e estava datado em muitos aspetos, mas mantinha-se delicioso naquilo que verdadeiramente interessava: o raio da obra do amigo Lucas era viciante para cacete. E de um enredo aparentemente simples brota toda um universo criado de raiz, pensado ao pormenor pelo senhor Lucas e que apresenta um carisma e uma autenticidade que só está ao alcance dos verdadeiros visionários. Nascia assim mais um fã da Guerra das Estrelas, que tratou rapidamente de ver os restantes filmes da saga e, embora já soubesse do maior plot twist da história do cinema, não deixei de me sentir arrebatado pela velhinha trilogia original.

O carisma único de Star Wars

A força de Star Wars prende-se quando fui ver o episódio VII nos cinemas, no final de 2015.

Quando a música de abertura épica de John Williams começa a tocar, a sala irrompe em aplausos. Ainda pensei que alguém tivesse aterrado um avião no meio da sala de cinema. Muitos podem chamar parolo a esta ação, mas a verdade é que devem ser muito poucos os filmes capazes de provocar esta reação nas pessoas. Mas a reação que mais me impressionou ocorreu já durante o filme. Mais concretamente na primeira vez que Harrison Ford volta ao grande ecrã para interpretar Han Solo, mais de 30 anos depois da última vez. Quando o mítico contrabandista aparece em cena, o tipo que estava ao meu lado começa a fungar.

Digam-me outro filme que comova a audiência quando um velho jarreta entra em cena. Não há.