Jurassic Park

Jurassic Park

Maio 31, 2019 0 Por Francisco Ramalheira
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Quantas crianças por esse mundo fora não padeceram de uma enorme panca por dinossauros? Eu padeci. E a minha panca foi bem forte. Tão forte que sabia o nome dos bicharocos pré-históricos todos, sabia a que período pertenciam e tinha uma coleção colossal de bonecos de plástico. Foi, por isso, com enorme expetativa que vi, pela primeira vez, este clássico de Steven Spielberg denominado Jurassic Park.

Welcome to Jurassic Park

A minha experiência

Não o vi quando estreou no cinema, pois na altura tinha apenas 5 anos. Mas vi-o ainda bastante novo (teria uns 10 anos?), numa sessão qualquer da tarde da Sic de um domingo soalheiro. Lembro-me do meu zeloso progenitor me alertar para os perigos daquele filme. Afinal de contas, dizia-se que havia pessoas a serem devoradas pelos meigos seres pré-históricos. “Vais ter pesadelos”, dizia-me o senhor meu pai, no alto da sua sabedoria.

Não liguei nenhuma. E devorei avidamente o filme que se transformou num dos meus favoritos de sempre. Compreendo a preocupação paternal, pois efetivamente a pelicula de Spielberg contém elementos que podem perturbar o sono dos petizes. A mim, efetivamente, incomodou. Não por ter cagufa, mas sim porque fiquei entusiasmado com aquela maravilhosa aventura, na qual passei o tempo todo a torcer pelos dinossauros. Havia lá uns que estavam magrinhos e que precisavam de se alimentar em termos. A parte em que o badocha do filme é papado pelo Dilophosaurus é ainda hoje das minhas preferidas.

Quando o filme terminou sentimentos mistos invadiam o meu peito. Por um lado sentia-me completamente arrebatado por aquele tremendo blockbuster com efeitos especiais topo de gama e polvilhado dos seres mais fascinantes que pisaram este planeta (e estou a falar dos dinossauros, não da Laura Dern nos seus tempos áureos).

Por outro lado, sentia-me tremendamente idiota. E a razão era simples: não aproveitei aquela transmissão para gravar o filme numa mítica VHS. Para a pequenada que lê estas linhas, informo que nos difíceis e áridos anos 90 não havia boxes em que dava para gravar e voltar atrás na emissão. Ou gravavas o teu programa numa cassete de fita e aspeto frágil ou perdia-lo para sempre. Por isso, quando falhavas a gravação de um bom filme ficavas a recriminar-te durante meses, sabendo que terias de aguardar até o filme voltar a ser transmitido. O que podia demorar meses. Ou anos.

Tempos difíceis.

Sabes, no entanto, que tiveste uma infância tremendamente privilegiada quando um dos grandes momentos de tristeza que o teu cérebro reteve é o facto de não teres gravado um filme.

O filme

Jurassic Park é um filme de aventura e ficção científica, baseado no livro de Michael Crichton, dirigido por Steven Spielberg, ficando a sumptuosa banda sonora a cargo do mestre John Williams. O filme pertence à época dourada em que Spielberg tinha o toque de Midas, transformando em ouro tudo aquilo que tocava. Cada filme do cineasta era um blockbuster, mas Jurassic Park é, sem dúvidas, uma das mais bem sucedidas obras de sempre do realizador.

Contando com a participação de estrelas como Sam Neill, Laura Dern, Jeff Goldblum, Richard Attenborough, ou Samuel L. Jackson, Jurassic Park decorre na fictícia Isla Nublar, onde um filantropo bilionário e uma pequena equipa de especialistas em genética criam um parque temático onde as principais atrações são dinossauros recriados através da manipulação genética. A partir daqui a ganância e a estupidez humana encarregam-se de escangalhar tudo aquilo que fora idealizado pelo personagem John Hammond, o cientista que criou o Jurassic Park.

A trama tem início quando os convidados de Hammond — Dr. Alan Grant, Dra. Ellie Sattler e Ian Malcolm — chegam à ilha para lhes ser apresentado o conceito daquele inovador parque temático. Mas a ganância de um dos funcionários dá início a uma série de peripécias que leva a que os dinossauros, principalmente o imponente Tiranossauro Rex, consigam “saltar a cerca”.

Assim, debaixo da capa de um simples “filme de monstros”, Jurassic Park apresenta uma crítica implícita à ganância e à estupidez humana que ainda hoje se mantém plenamente atual.

O filme é, ainda hoje, um regalo para os amantes de dinossauros. Foi Jurassic Park que, pela primeira vez na história do cinema, consegue reproduzir estes amáveis seres de uma forma tão realista que parecia real. E isto em 1993! Uma época em que os efeitos por computador ainda não eram padrão (aliás, Jurassic Park foi pioneiro em muita tecnologia dos efeitos especiais), sendo a grande maioria das recriações dos dinossauros feita recorrendo a enormes bonecos chamados animatronics.

Este clássico já teve, entretanto, quatro sequelas (The Lost World: Jurassic Park, Jurassic Park III, Jurassic World e Jurassic World: Fallen Kingdom) e, excetuando o último que já está a pender para a mediocridade, todas eles são bons filmes, apesar de ficarem a anos-luz do original.

Dinossauros em todo o lado

Jurassic Park era um sonho para os catraios, como eu, que sonhavam com dinossauros, tinham caixas cheias de dinossauros de plástico, tinham puzzles com dinossauros, pijamas com dinossauros, livros de dinossauros, bolachas de dinossauros, documentários em VHS sobre dinossauros…

Seria de esperar que tal amante destes pré-históricos seres quisesse, no futuro, exercer uma profissão ligada a estes maravilhosos espécimes, como arqueólogo. Eu, confesso, também passei por essa fase, tendo sido exatamente este filme que refreou as minhas ambições.

Passo a explicar a razão.

Primeiro porque no início do filme mostra os arqueólogos a trabalhar e… bem aquilo pareceu-me serviço de faxina. Imaginei-me a minha carreira toda de cócoras, munido de uma mini-vassourinha e limpar camadas de terra em busca de ossos. Confesso que esta perspetiva não me caiu no goto.

Mas a cena responsável por esta mudança radical de paradigma laboral foi a fantástica aparição de um triceratops doente, ao pé do qual estava uma colossal montanha de estrume, na qual a corajosa arqueóloga (Laura Dern) insere os seus membros superiores quase até ao ombro, para analisar as fazes, de forma a melhor aferir causa da doença do pobre animal. E sim, eu sei que um arqueólogo mexe em ossadas e não em cocó. Mas com dez aninhos o Jurassic Park parecia-me apenas uma visão de um futuro próximo. Parecia-me mesmo totalmente plausível que, em breve, os cientistas iriam clonar dinossauros. E aí caberia aos arqueólogos avançar e eu não queria arriscar perder um braço no meio de fezes de um colossal animal com mais de 10 metros.

Conclusão

Sei que alguns não concordam comigo, mas sou acérrimo defensor continuem a mandar vir mais filmes desta chancela. Vou vê-los a todos. Jurassic Park é como a pizza: mesmo as más, continuam a ser bastante saborosas. E da mesma forma que nunca dizemos “não” a uma pizza — mesmo aquelas congeladas dos hipermercados que parecem um borrão — também nunca direi “não” à minha chancela de dinossauros favorita. Lancem os que quiserem que eu vou ao cinema papá-los a todos.

Esta última frase, tirada do contexto, fica péssima. Por isso não a tirem sff.