Super Mario 64

Super Mario 64

Maio 17, 2019 2 Por Francisco Ramalheira
Partilhai e espalhai a mensagem gambuziana

Ter um espaço neste baú dedicado aos videojogos e não falar no canalizador pançudo e de farto bigode mais famoso do mundo (fora da indústria pornográfica, claro) é um crime gravíssimo, do qual aproveito para me penitenciar, servindo este artigo para colmatar a inqualificável ausência de Super Mario neste blogue.

Super Mario 64 Theme

A principal figura deste meio de entretenimento

Dire Dire Rocks

Desde o lançamento de Super Mario Bros. na velhinha e revolucionária NES que o canalizador criado por Shigeru Miyamoto se tornou num sinonimo de videojogos, sendo os seus títulos considerados como o pináculo da diversão, criatividade e jogabilidade, deixando uma marca indelével em todos os que pegaram num Super Mario Bros., Super Mario Land ou Super Mario Word. Era, por isso, natural que a comunidade gamer aguardasse com enorme expetativa pelo lançamento de Super Mario 64, o jogo que iria estrear a novíssima consola da gigante de Quioto, a Nintendo 64, e que iria ser a três dimensões.

Só quem assistiu ao lançamento de Super Mario 64, no já longínquo ano de 1997, é que pode testemunhar o quão revolucionário foi este cartucho e o quão importante foi para a indústria dos videojogos.

Numa era em que a internet ainda era um bicho estranho, a nossa única hipótese de ver vídeos e imagens de um jogo ainda não lançado era recorrer ao mítico programa de televisão da SIC, denominado com Templo dos Jogos. Lembro-me perfeitamente da primeira vez que vi o canalizador de jardineiras a percorrer aqueles prados verdejantes num curtíssimo clip deste mítico programa. Entrei em delírio. Sentia que estava e ver aquilo que seria o futuro dos videojogos. E era mesmo.

A passagem do 2D para o 3D foi uma das maiores revoluções na ainda curta História dos videojogos, tendo sido notórias as dificuldades que várias software houses tiveram para se adaptarem a esta nova realidade. Neste contexto, esta obra da Nintendo surge como uma pedrada no charco, calando todos os críticos que afirmavam que o 3D trazia com ele inevitáveis problemas de câmara, com Super Mario 64 a estabelecer o paradigma de como os jogos a três dimensões deveriam ser feitos, tornando-se num autêntico manual para as produtoras. O jogo foi pioneiro na utilização de uma câmara livre e na utilização de um analógico, que permitia ao jogador controlar Mario de uma forma mais ampla e realista, sendo possível movimentá-lo para todas as direções, assim como pô-lo a correr ou a andar, de acordo com o nível de pressão que fazíamos no analógico. Completamente revolucionário para a época.

O lançamento de um clássico

O desenvolvimento de Super Mario 64 demorou menos de dois anos, mas o produtor e diretor Shigeru Miyamoto já havia começado a trabalhar num jogo de Mario em 3D, chamado Super Mario FX, ainda durante a era da Super Nintendo Entertainment System (SNES). No entanto, a Nintendo resolveu trasitar este ambicioso projeto para a Nintendo 64, não só devido a limitações técnicas do sistema de 16 Bits da Nintendo e também devido à necessidade de lançar a nova consola com um título forte.

Lançado na Europa no dia 1 de março de 1997, Super Mario 64 foi o principal responsável pelas excelentes vendas iniciais da mais recente consola da gigante de Quioto.

O jogo começa com Peach a convidar Mario para vir ao seu castelo. O que quereria a ingénua princesa? Uma sessão tórrida de forrobodó? Que o canalizador lhe desentupisse os canos do “castelo”?

Para os ingenuos que não acreditam que Peach é uma taradona fiquem com esta cena de Paper Mario

Nunca saberemos as intenções da princesa da Nintendo, porque quando Mario lá chega, provavelmente já a tirar o botão das suas formosas jardineiras, Bowser já a tinha raptado, escondendo ainda 120 estrelas no castelo. A missão do nosso herói pançudo e de sentido estético duvidoso é descobrir e apanhar todas as estrelas e salvar Peach, e para isso terá de percorrer os 15 níveis\mapas com 7 estrelas cada e ainda descobrir as 15 estrelas escondidas no enorme castelo, dentro do qual polvilhavam inúmeros segredos, passagens secretas e um design de níveis requintado e inovador. ​

Eu e Super Mario

Todos os miúdos dos anos 90 testemunharam de perto o clima de guerrilha entre a Sega e a Nintendo, cujo corolário máximo ocorreu na época da Mega Drive e da Super Nintendo. Nas discussões tremendamente maduras que ocorriam nos recreios das escolas do nosso Portugal, o maior argumento era, invariavelmente, a evocação da mascote da companhia. Por isso, um Sega Vs Nintendo transformava-se, amiúde, num Sonic Vs Mario.

Eu confesso que, inicialmente, tinha uma ligeira preferência pela velocidade dos jogos do ouriço, embora adorasse as aventuras do canalizador na SNES ou no Game Boy. A ligeira preferência mudou de lado na primeira vez que peguei no comando da Nintendo 64.

Eu lembro-me de ter apenas 8 anos quando o jogo foi lançado e fiquei completamente boquiaberto quando vi as primeiras imagens do jogo no mítico programa da SIC, O Templo dos Jogos, no qual este clássico da Nintendo foi o primeiro a obter a pontuação máxima de 100%. Quando o joguei pela primeira vez, numa consola de demonstração no Toys ‘R Us fiquei absolutamente siderado.  Ainda pensei em fazer olhinhos de Bambi e pedir aquela pedra preciosa (e respetiva consola) aos senhores meus pais, mas quando vi o preço da Nintendo 64 não tive coragem. E chorei para dentro.

Felizmente, passado pouco tempo um dos meus amigos comprou a consola com o jogo e eu transformei-me num fiel praticante da arte da inveja, não desalapando da casa dele até termos conseguido apanhar as 120 estrelas. Ficava sempre siderado com a quantidade avassaladora de piruetas e acrobacias que o canalizador de proeminente pança conseguia fazer. E quando descobri que dava para usar a carapaça de um Koopa como prancha de skate? E as corridas de escorrega contra um pinguim gigante? E quando apanhei um chapéu com asas que me permitia voar? Neste jogo tudo parecia possível. Ficava horas só a fazer cabrioladas pelos verdejantes prados que envolviam o castelo do jogo. Ainda hoje é impossível pegar em Super Mario 64 após um longo período de ausência e não perder uns minutos no jardim do castelo a vagabundear. Só porque sim. Só porque é divertido.

Slide Theme

E essa é a principal característica de um grande jogo: a diversão. Pena que tantas editoras se esqueçam dessa componente tão importante. Foram muitas e prazerosas as horas que passei com este clássico, principalmente na companhia de amigos ou da família, para tentar apanhar mais uma estrelinha. E depois dessa dizíamos a nós mesmos “apanho só mais uma e depois desligo a N64”. E só mais uma. E só mais outra… Os grandes jogos são aqueles que nos fazem perder a noção do tempo, comendo vorazmente os cada vez mais raros momentos de lazer que nos damos ao luxo de gastar com a nossa própria pessoa.

Conclusão

Super Mario 64 é um marco na história dos jogos e ainda hoje é dos melhores jogos de plataformas que por aí andam. Se nunca o jogaram, ajoelhem-se e açoitem-se violentamente com um chicote embebido em álcool e em chamas enquanto procuram pelo jogo no mercado de jogos usados. E quando este clássico chegar à vossa habitação, desfrutem.

Sem dúvida, um dos jogos mais importantes desta indústria e um monumento de criatividade para ser louvado por todos os que se dizem artistas.