O Rei Leão

O Rei Leão

Abril 10, 2019 4 Por Francisco Ramalheira
Partilhai e espalhai a mensagem gambuziana

Nos anos 90, a Disney era sinonimo de magia e ir ao cinema ver um filme desta mítica entidade (que para os petizes adquiria contornos de divina) era razão suficiente para dormir mal na noite anterior, devido à excitação.

Hoje vamos falar daquele que será, para sempre, o meu filme de animação favorito: “O Rei Leão”.

O filme tem tudo: aventura, amizade, humor a rodos, reviravoltas, corrupção e redenção, misturando ainda aqui e ali umas liçõezinhas de vida de uma profundidade que não é para qualquer um. Para mim é um clássico da sétima arte. E se há filme que me lembro perfeitamente de me ter feito sair da sala do cinema completamente arrebatado e a achar que jamais encontraria outro de que gostasse tanto, esse filme foi “O Rei Leão”.

O filme

“O Rei Leão” é a 32.º longa-metragem animada produzido pela Walt Disney Animation Studios, sendo lançada a 15 de junho de 1994. O filme narra a história do jovem leão Simba que se sente culpado pela morte do seu pai, o rei Mufasa, fugindo do seu Reino, sem saber que o assassinato fora orquestrado pelo seu malévolo tio Scar, para tomar o poder. Esta última frase é a mais inútil de todo este texto, pois toda a gente sabe a história de “O Rei Leão”.

Quem não se comove com esta cena tem a sensibilidade de um bloco de cimento

Este foi também o primeiro filme da Disney a ser dobrado para português de Portugal (até então tínhamos de nos contentar com as excelentes dobragens brasileiras) e o trabalho dos artistas tugas foi tão bom que a versão portuguesa do filme foi considerada pela Disney como a melhor dobragem. No entanto, para os fãs não posso deixar de recomendar também a versão original. Só por ter as vozes de James Earl Jones, como Mufasa e Rowan Atkinson (Mr. Bean para os amigos) como Zazu já vale a pena.

O desenvolvimento de um clássico

O desenvolvimento de “O Rei Leão” começou em 1988, no entanto, a produção começou apenas em 1991 em simultâneo com Pocahontas, sendo um projeto com vários percalços.

“O Rei Leão” foi a primeira longa-metragem de animação da Disney criada a partir de uma história original (apesar de se inspirar em Hamlet), em oposição às obras anteriores que eram versões de fábulas e histórias infantis já existentes. Por isso foi olhada com muita desconfiança não só por parte do público, mas também dentro da própria Disney, onde muitos dos principais animadores optaram por trabalhar no projeto “Pocahontas”, por não verem grande futuro e sucesso no projeto mais original. “O Rei Leão” ficou assim nas mãos de uma minoria que deu tudo o que tinha para transformar este filme num dos mais bonitos de sempre, apesar dos múltiplos constrangimentos que a produção teve (troca do diretor, reestruturação do roteiro, etc). Só mesmo O Rei Leão para nos dar lições de vida durante o filme e também no Making of.

O filme é tão bom que foi galardoado “apenas” com um Globo de Ouro de Melhor Filme Comédia ou Musical, a tremenda banda-sonora de Hans Zimmer (aquela abertura ainda hoje me causa pele de galinha) ganhou um Óscar, com o portento piroso “Can You Feel the Love Tonight” cantado por sir Elton John a ganhar o prémio de Melhor Canção Original. O filme foi também um tremendo sucesso nas salas de cinema, tendo conseguido, na época, a segunda maior bilheteira de sempre, perdendo apenas para Jurassic Park.

Timon e Pumba

Um dos pontos fortes do filme é o seu apurado sentido de humor. São vários os momentos em que, independentemente da idade que tenhamos, não consigamos evitar um sorriso. E falar de humor em “O Rei Leão” e não mencionar o javali e o suricata mais famosos do mundo da animação é um pecado grave que tem como pena ter de ouvir em loop a última música da Maria Leal.

Mas este duo comedor de vermes não tem no filme apenas uma função recreativa. São eles que adotam o pequeno Simba aquando do seu exilio, sendo os autores da expressão motivacional mais profunda do mundo dos desenhos animados.

Conhecem melhor parelha num filme animado? Eu não. Hakuna Matata.

O videojogo

Como tudo o que fazia furor entre a pequenada, “O Rei Leão” também teve direito a todo o tipo de brinquedos e merchandising. Recordo com particular afeição a caderneta de cromos da Panini que, a determinada altura, era obrigatória (estava mesmo na Constituição Portuguesa) todos os miúdos levarem debaixo do braço para a escola, de forma a poderem trocar os repetidos. Mas o objeto com a chancela deste clássico da Disney que mais me marcou os saudosos anos da infância foi mesmo o jogo que foi lançado, no já longínquo natal de 1994 para a Mega Drive.

Foram incontáveis as horas que passei a jogar este clássico, que apresentava um dos melhores grafismos, animação e som que a 16 Bits da Sega podia oferecer. Cada nível representava uma parte do filme e era um prazer controlar aquele leãozinho composto por pixels. A exceção era o infame nível dos troncos, que foi responsável por muitas unhas maceradas e momentos de profunda reflexão em que uma criança matutava seriamente sobre o abandono da sua carreira de jogador.

Eu numa sessão particularmente dolorosa neste nível cheguei a pensar arrumar a consola e dedicar-me a outra prazerosa atividade de lazer, como a filatelia ou a numismática.

Fiquem a conhecer o tópico deste jogo no fórum FNintendo

O VHS

Correndo o risco de chocar os mais novos, venho por este meio relatar o funcionamento do visionamento de filmes nos anos 90. Só havia 4 formas:

  1. Enquanto estava em exibição no cinema;
  2. Quando passava na televisão; e para isso teria de haver um canal a comprar os direitos, o que acontecia apenas uns anos valentes após o filme passar no cinema;
  3. Quando compravas o VHS, vulgo cassete, e que apenas era lançada no mercado mais de um ano depois do filme sair de exibição das salas de cinema;
  4. Alugavas esse mesmo VHS quando o clube de vídeo manhoso do teu bairro se lembrasse de adquirir uma cópia. Isso só acontecia quando o filme já tivesse uns quantos anos de mercado.

A internet era um bicho estranho e coisas como o Netflix era ficção científica. Por isso, ver um filme que fosse novidade era realmente um acontecimento digno de destaque.

A VHS de “O Rei Leão” foi aquela que eu mais aguardei. Para terem uma noção da dimensão deste lançamento, semanas antes do Dia D já a nossa televisão era bombardeada com publicidade, dizendo em que dia é que crianças de todo o país poderiam levar para casa uma cassete que lhes permitiria ver as aventuras de Simba até à exaustão. Lembro-me que o lançamento ocorreu no fim do Verão e a minha família foi em peso (pais, irmão, avós, primos, etc) até ao Cascaishopping com o intuito de jantar numa conhecida cadeia de fast food e, mais importante, adquirir um exemplar de tão precioso artefacto. No meio do Continente estava uma gigantesca pilha de VHSs, com um reluzente estandarte a propagandear o último clássico da Disney. O momento em que peguei na “minha” VHS foi mágico. Tinha adorado ver o filme no cinema no ano anterior e, desde então, que ansiava por poder rever a aventura de Simba.

Cheguei a casa, coloquei o meu bonito pijama, solicitei pipocas junto da entidade progenitora e deleitei-me no sofá. O filme era ainda melhor do que eu me lembrava. Vi-o e revi-o até saber as falas todas de cor.

O Rei Leão em 2019

“O Rei Leão” é um dos melhores filmes de animação de sempre. Ainda hoje é das melhores longa-metragens que podem mostrar a uma criança.

Este Verão a Disney vai lançar uma versão renovada, inserida na sua recente política de remakes em live-action de clássicos animados. Assim, após os êxitos de Alice no País das Maravilhas (2010), Maleficent (2014), Cinderela (2015), O Livro da Selva (2016) e A Bela e o Monstro (2017). Ainda em 2019, haverá as estreias das adaptações de Dumbo e Aladdin.

Dia 18 de julho encontramo-nos todos no cinema.