Dartacão

Dartacão

Março 30, 2019 1 Por Francisco Ramalheira
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Hoje vamos falar de uma das séries de animação que mais fãs granjeou em todo o mundo e cuja qualidade faz com que seja idolatrada por tantas gerações diferentes de miúdos. Estamos a falar de Dartacão, a adaptação do romance de Alexandre Dumas, “Os três mosqueteiros”, ao universo animal, com os principais personagens a ser distintos representantes do mundo canídeo. Assim, em vez de D’Artagnan. Athos, Porthos e Aramis temos Dartacão, Mordos, Dogos e Arãomis. De génio.

A série foi criada em colaboração com estúdios de animação espanhola da BRB internacional e os japoneses da Nippon animation, sendo os 26 episódios (era só eu que pensava que eram muitos mais?) lançados em 1981.

A chegada a Portugal

Dartacão chegou ao nosso país em 1983, tornando-se rapidamente num sucesso enorme entre a petizada que cantava o tema de abertura em loop nos recreios da escola, para desespero de professores e auxiliares de educação. A série foi, indubitavelmente, uma das que teve mais sucesso ao longo dos anos 80, sendo brindada com todo o tipo de merchandising, desde a imprescindível caderneta de cromos, bonecos em PVC, etc

A série teve uma continuação denominada “O Regresso de Dartacão”, produzida em 1989 e na qual os filhos de Dartacão e Julieta (desculpem lá o spoiler) fazem parte do elenco de personagens.

É impressão minha ou a Julieta está aqui a urinar de pé? Mas querem ver que…

Em 1995 a TVI comprou os episódios de Dartacão, transmitindo-os ininterruptamente nos anos seguintes, para gáudio de toda uma nova geração de pequenada (entre a qual me incluo) que ficou assim a conhecer uma das obras-primas da animação infantil.

A música intemporal

Uma das imagens de marca da série é, indiscutivelmente, a música de abertura. Este tema é o exemplo perfeito da melodia que nos parece absolutamente espetacular quando somos crianças e que, quando chegamos a adulto descobrimos, com pesar, que o raio da música é profundamente irritante. No entanto, não podemos negar que o tema é bestialmente orelhudo, sendo impossível ouvi-lo sem cantarolar o refrão.

Desafio-vos a clicar no vídeo acima e não ficar a cantarolar esta musiquinha o resto do dia. Quem o conseguir fico a dever um jantar. Aposto que quando se forem deitar ainda estará a ressoar na vossa cabeça “o amor da Julieta é o Dartacão”. A mim ficou. E tive um sonho muita estranho. Bom, adiante.

A História

Para as duas almas deste mundo inteiro que não conhecem a história, esta é muito semelhante ao livro, passando-se no ano de 1625 quando Dartacão sai da sua aldeia e parte para Paris para se tornar num Moscãoteiro. No caminho conhece a garbosa Julieta (a aia da Rainha) por quem fica apaixonado. Já em Paris conhece os famosos três moscãoteiros, com quem descobre os planos do pérfido Cardeal para usurpar o trono de França, que passam por expor uma ligação perigosa entre a Rainha Ana e o Duque de Buckingham.

Foi a minha paixão pela série infantil que me levou a ler o livro original. Gostei, mas confesso que sem cãezinhos não era a mesma coisa. Aliás, considero que o conceito de adaptar as grandes obras da Literatura a uma bonita fábula é uma ideia vencedora. Afinal, para as crianças basta polvilhar um produto televisivo com fofos animais para que nasça uma ideia vencedora.

Uma ideia milionária

Posto isto, caras editoras nacionais, se quiserem adaptar algum clássico ao mundo animal sou o vosso homem. Deixo-vos aqui alguns exemplos do que o meu génio criativo vos pode ofertar:

  • Mau Tempo no Canil – (Obra original: Mau Tempo no Canal, de Vitorino Nemésio)

Sinopse: Era uma vez dois cachorros apaixonados: um boxer chamado João Garcia e uma rafeira chamada Margarida. As famílias dos dois canídeos apaixonados estão afastadas por antigas questões e ressentimentos e não aprovam o coito entre João e Margarida. Até que esta última entra no cio e…

  • Gnulet – (Obra original: Hamlet, de William Shakespeare)

Sinopse: Era uma vez no reino dos gnus um príncipe chamado Gnulet, que se vê obrigado a assassinar o seu tio, o gnú Cláudio, que é acusado de matar o pai de Gnulet para tomar o poder.

  • Sapunzel – (Obra original: Rapunzel, dos irmãos Grimm)

Sinopse: Era uma vez uma princesa sapo que vivia aprisionada na sua torre por uma bruxa, que quando queria subir, mandava que Sapunzel estendesse a sua longa língua dourada. Até que um dia apareceu um príncipe batráquio que quis dar outra função à enorme língua de Sapunzel.

  • Branca de Neve e os sete leitões – (Obra original: Branca de Neve e os sete anões, dos irmãos Grimm)

Sinopse: Era uma vez uma princesa porca que era a mais gorda do chiqueiro e, como tal, a dona da vara de porcos quer levá-la para o matadouro para fazer bonitas chouriças com o seu chambão. Mas o talhante que ia matar a princesa acobarda-se e diz-lhe para fugir e se esconder na casota de 7 pequenos leitões.

Nota: ainda dentro do universo suíno, também é possível adaptar esta obra para uma versão de cariz mais maroto, denominada “Branca de Neve e os sete porcalhões”.

  • Dom Cãoxote de la Mancha (Obra original: Dom Quixote de la Mancha, de Miguel Cervantes)

Sinopse: Era uma vez um dálmata cujo excesso de literatura sobre cavaleiros fez com que tivesse dificuldades em encontrar a fronteira entre a realidade e a imaginação. Assim, decide vestir uma armadura antiga que tem na casota, partindo à aventura como cavaleiro errante, autodenominando-se com Dom Cãoxote de La Mancha. Com ele levou Sancho Pança, o seu vizinho rafeiro e obeso, a quem foi dado o título de escudeiro.

  • Boby Dick – (Obra original: Moby Dick, de Herman Melville)

Sinopse: Era uma vez um cãozinho que foi abençoado pela Mãe Natureza no que toca a abono familiar e que queria caçar baleias.

  • Os Miaus – (Obra original: Os Maias, de Eça de Queiroz)

Sinopse: Era uma vez um gato e uma gata que tinham entre si uma profunda atração sexual mútua. Até que, num fatídico dia, os dois gatinhos amantes descobriram que provinham da mesma ninhada. Eram irmãos! Mas depois lembraram-se de que eram gatos. E o incesto era a gataria é algo banal, pelo que mantiveram a sua conduta incestuosa. Várias vezes por dia.