Sonic

Sonic

Março 22, 2019 0 Por Francisco Ramalheira
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É impossível falar nos anos 90 sem vir à baila o ouriço mais cool de sempre (também não me estou a lembrar de mais nenhum… pormenores).

Favor ler com o som ligado, de modo a potenciar o efeito nostálgico

O nascimento de uma lenda

Estamos no final dos anos 80. A Nintendo tem Mario como bandeira da sua consola, com jogos muito bons e que vendem milhões de unidades. Vendo o sucesso do canalizador pançudo, a Sega resolveu criar a sua própria mascote, pelo que em 1990 realizou-se um concurso interno para criar a nova mascote, sendo o vencedor um tal de Yuji Naka que apresentou um ouriço azul, de aspeto cool e moderno, que tinha como principal característica a velocidade.

O início da nova franquia da Sega dá-se em 1991, com o lançamento de Sonic the Hedgehog para a Mega Drive, jogo que pelo seu excelente e colorido grafismo, jogabilidade de sonho e velocidade estonteante impressionaram a crítica e os jogadores, tornando-se rapidamente num dos jogos de culto da 16 bits da Sega, abrindo assim as hostilidades para um período de guerra entre a Sega e a Nintendo, com publicidades agressivas e com discussões acaloradas  nos recreios da escola entre a facção “Sonic” e a facção “Mario”. Os mais radicais até se recusavam a jogar o “jogo do inimigo”, o que na época achava profundamente parvo, pois ambas as séries eram fantásticas e gostar mais de um não significa que tenhamos de odiar a outra (ouviram adeptos acéfalos de um clube de futebol?).

Dado o enorme sucesso do jogo, um ano depois a Sega lançou a sequela, com Sonic the Hedgehog 2 a marcar a estreia do simpático Tails. O jogo foi de tal forma um sucesso que se tornou no segundo jogo mais vendido de sempre da Mega Drive, vendendo quase 5 milhões de cópias em todo o mundo.

Dois anos depois, chega aos escaparates das lojas Sonic the Hedgehog 3. A grande inovação foi o facto de ser o primeiro da série com possibilidade de salvar o progresso, sendo dos jogos que mais explorou a 16 Bits da Sega. Pouco tempo depois saiu a segunda parte do jogo, denominado por “Sonic & Knuckles”, o primeiro cartucho que permitia acoplar outro cartucho por cima (recorrendo à inovadora tecnologia Lock On). Este coito entre cartuchada da Mega Drive permitia não só redescobrir os outros jogos Sonic como descobrir mini-jogos com outros jogos da consola. Sonic & Knuckles é a meretriz dos jogos Mega Drive, “encaixando” em praticamente toda a biblioteca da consola. Tanto copulou o meu cartucho… O maroto parecia um coelho na época do acasalamento.

Sonic the Hedgehog marcou, indubitavelmente, a geração que teve a sorte de ser criança e adolescente nos anos 90. O seu sucesso foi de tal forma ímpar e esmagador que a Sega conseguiu o que parecia utópico: criar uma personagem que conseguisse atingir a popularidade do eterno Super Mario. Os 4 títulos da Mega Drive eram de enorme qualidade, sendo do melhor que se fez na 16 Bits da Sega. Quem tinha uma Mega drive tinha de ter Sonic (e de preferência todos).

Era tão simples quanto isto.

Um verdadeiro marco na história dos videojogos, um ícone da saudosa era 16 Bits e um autêntico fenómeno cultural. Toda a gente gostava do raio do ouriço, que transpirava carisma por todos os poros.

A tralha do Sonic

Não é, por isso, de estranhar que tenha sido criado todo o tipo merchandising, desde peluches, cromos, bonecos PVC, todo o tipo de roupa… O ouriço tornou-se uma verdadeira galinha dos ovos de ouro para a Sega. Até filmes e desenhos animados do houveram. Em Portugal, o Batatoon transmitiu a série Sonic Underground, que nem era nada de especial, mas como tinha o Sonic os putos todos papavam aquilo.

Juro pela alma da minha santa mãe que até cuecas do Sonic havia. Não é qualquer produto que atinge a popularidade suficiente para ter direito a cuecas. É só mesmo aqueles muito especiais. O meu sonho é um dia haver cuecas estampadas com Caca. Hei-de lá chegar.

Publicidade com enorme qualidade visual

As memórias de infância

O simpático ouriço azul trouxe-me inúmeras boas recordações com amigos. As primeiras são, naturalmente, as sessões à volta da Mega Drive ou da Master System em que cada um jogava uma vida e tentava-se ir até ao fim do jogo. Ainda me lembro da festa gigantesca que eu e mais dois compinchas (melhor palavra de sempre, já agora) fizemos quando terminamos, pela primeira vez, o Sonic 2. Enquanto um jogava os outros dois faziam o trabalho de grupo. Épico. Ou de brincarmos ao Sonic no intervalo (a brincadeira consistia, basicamente, em correr rápido pelo pátio. Eramos tão idiotas) e um dos “Sonics” não travar a tempo e abalroar uma inocente auxiliar de educação, que teve apenas o azar de estar à hora errada, no local errado.

Mas a minha memória predileta é provavelmente a de um Carnaval, em que um puto resolve ir mascarado de Sonic.

Até aqui tudo joia.

Acontece que a criança em questão não trajava um fato do ouriço da Sega. Simplesmente tinha umas sapatilhas vermelhas e trajava uma indumentaria azul, pintando (se bem me lembro) a cara e membros desta cor. Parecia tudo menos o Sonic. Para mim, e como este “Sonic” era anafado, mais depressa aquilo era a máscara de um smurf gordo ou do génio do Aladdin.

E foi essa a minha inocente resposta quando o Sonic badocha me questionou se eu sabia qual era a sua máscara. Nunca vi um Sonic tão chateado. Até porque parece que ninguém acertou que aquela máscara sofisticadíssima era a do icónico personagem da Sega.

Não pude deixar de soltar um sorriso malévolo ao ver aquele Sonic badocha a tentar correr à velocidade do ouriço original para mostrar que ele era o lendário ouriço.

Podem consultar mais informações sobre estes clássicos da Mega Drive no FNintendo.

A família Sonic