Harry Potter

Harry Potter

Janeiro 12, 2019 0 Por Francisco Ramalheira
Partilhai e espalhai a mensagem gambuziana

Harry Potter, a obra da escritora inglesa J.K. Rowling foi, indubitavelmente, um marco na minha infância e juventude.

Sempre gostei muito de ler. Ainda hoje é das coisas que mais calma e bem-estar me traz. Na casa-de-banho então sou avido consumidor de todo o tipo de leitura. Até o rótulo do champô marcha. Confesso que não sei bem que relação pode existir entre o contacto das nossas nádegas tépidas com a fria porcelana da sanita e a vontade de ler, mas a verdade é que aquele local se transforma, para tanta gente, num acolhedor e idílico cadeirão, no qual nos aconchegamos para longas horas de degustação literária.

Diz-se, e com razão, que “ler dá-nos cultura”, pelo que, a única conclusão lógica que consigo retirar disto é que a multiplicidade de asnos que andam à solta pela rua deve ser malta com muita prisão de ventre. Os grandes sábios são todos exímios defecadores.

Mas voltando a Harry Potter, no final dos anos 90 a febre potteriana invadiu uma data de países e aqui o burgo não foi exceção. Eu conheci a série quando já estavam os três primeiros volumes disponíveis e havia no ar um enorme hype pelo quarto, que estava na iminência de chegar aos escaparates das lojas.


A minha primeira vez

Por mais que puxe pela cabeça, não me consigo lembrar quem me ofereceu o primeiro livro da série, nem em que circunstancias o recebi. Mas lembro-me de ter devorado “A Pedra Filosofal” em apenas 2 dias (ou meia dúzia de cagadas, se preferirem) e de me ter de imediatamente identificado com Harry. Não por ter óculos ou por dormir debaixo das escadas, mas por termos ambos onze anos e um senhor medonho com vontade de nos degolar. Mas no caso de Harry esse senhor era Lord Voldmort, no meu era um adolescente de mau aspeto e de odor putrefacto que me quis por algumas vezes roubar a minha bola de futebol.

Lembro-me de mal ter terminado a leitura, ter imediatamente adotado a milenar técnica do beicinho para solicitar aos meus progenitores a aquisição dos outros dois volumes, invocando o poderoso argumento de que “leitura é cultura”. Quer “A Câmara dos Segredos”, quer “O Prisioneiro de Azkabam” foram também devorados em muito pouco tempo. Quanto mais lia mais agarrado ficava.

Rowling tinha mais um fã. E Harry Potter granjeara mais um crente devoto, na religião potteriana. Quando o quarto livro, “O Cálice de Fogo”, foi lançado lá estava eu na fila da frente, com a semanada no bolso, pronto para saber mais sobre o maravilhoso mundo de Hogwarts.

É preciso ter qualidade para ter sucesso apesar deste artwork


O agravamento da doença

Uma febre tem tendência a melhorar e a passar com o tempo. Mas a febre Harry Potter piorava drasticamente com o lançamento de cada volume, piorando drasticamente no final de 2001 quando, para deleite dos fãs, estreou o filme relativo ao primeiro livro. A longa metragem apresentou ao mundo três jovens atores de grande talento, Daniel Radcliffe, Emma Watson e Rupert Grint, que interpretaram os papeis das três personagens principais: Harry Potter, Hermione Granger e Ron Weasley, respetivamente.


A soberba OST de John Williams

E foi com o aparecimento de novos filmes que comecei a professar uma nova Fé. Para além de fã devoto de Harry Potter, havia agora uma nova paixão que valia a pena abraçar (e quem me dera que fosse literalmente): Emma Watson. Decerto que qualquer possuidor do sistema reprodutor masculino me apoia nisto.

Depois de terminar de ler o sétimo e último livro, uma sensação de vazio percorreu o meu ser.

E agora? Leio o que?

Esta interrogação pairou, certamente, na cabeça de muitos leitores. E isto só acontece quando uma série é boa. E Harry Potter é muito bom, conseguindo aquela dificílima proeza de se dirigir a um público juvenil, mas conseguir ser igualmente apelativo para outras idades. O raio dos livros conseguem ser acessíveis a todos, divertidos, altamente cativantes e apresentam personagens tremendamente carismáticas. Se conseguirem, apresentem-me alguém que não goste de Dumbledore, dos gémeos Weasley ou do severo professor Snape. E Lord Voldmort é, apenas, um dos mais carismáticos vilões de sempre, sendo o único que tem o nariz em forma de tomada.


O legado deixado por Harry Potter

Reza a lenda que parte significativa do primeiro livro desta série foi escrita em Portugal, mais concretamente na bonita cidade do Porto, havendo algumas referências da cultura portuguesa no imaginário potteriano. Por exemplo, para criar a mítica farda de Hogwarts, J.K. Rowling inspirou-se nos trajes académicos que os universitários tugas usam. Ainda bem que a inspiração se ficou apenas pela roupa. A perspetiva de ver o “Quem Nós Sabemos” a tocar acordeão numa tuna ou o ver Ron a cambalear e a cantar “A mulher gorda a mim não me convém” iria chocar os fãs mais sensíveis.

Mas para além de colocar os trajes académicos e os óculos redondos na moda, a grande conquista, para mim, foi outra: conseguiu voltar a meter livros, essa coisa antiquada e cheia de páginas, nas mãos dos miúdos. Harry Potter já surgiu na era digital, na qual o vídeo, os jogos e os conteúdos multimédia já ocupavam uma posição nevrálgica no quotidiano de todos, transformando os livros, para muitos, um item obsoleto. Só pelo facto de ter conseguido por crianças e jovens em todo o mundo com um livro nas mãos e a exercitar a sua criatividade e imaginação, os livros de J.K. Rowling já merecem todo o crédito que receberam ao longo dos anos.

Hoje, mais de vinte anos volvidos desde o lançamento da primeira aventura do aprendiz de feiticeiro mais famoso de sempre, ainda há milhares de crianças que todos os anos anseiam por receber a sua carta para Hogwarts. Eu trocava de bom grado as minhas das Finanças por uma dessas.