O príncipe da Fuzeta

O príncipe da Fuzeta

Janeiro 3, 2019 0 Por Francisco Ramalheira
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A internet é efetivamente, um espaço livre e aberto a todos. Qualquer papalvo pode ter um site. A prova disso? Este blogue. Querem outra prova? Então vejam lá isto com muita atenção: 

Site do Principado da Fuzeta, Clicai!

A Fuzeta é uma pequena freguesia do concelho de Olhão, na qual há um senhor que afirma que é o legitimo Rei daquela belíssima terriola, tendo, por isso, criado o Principado da Fuzeta. O nome deste senhor é Francisco Candeias e a partir daqui será, naturalmente, tratado como “Sua Majestade”. Clicando aqui podem ficar a conhecer a história do nascimento desta dinastia da nova monarquia que nasceu no Algarve.

D. Francisco I – O visionário

A nossa primeira impressão ao ler esse site é que o mesmo é escrito por alguém com um estupendo sentido de humor. Pelo menos a mim deixou-me cheio de inveja. Mas, após alguma análise e pesquisa começamos a perceber que, quem escreveu aquelas linhas está a falar muito a sério. É então que os mais incautos poderão duvidar da sanidade mental do senhor.

Portanto, é aqui que a doutrina se divide.

Enquanto muitos poderão dizer que Sua Majestade D. Francisco I é maluco, eu acho que é um visionário. A genialidade de muitos dos homens que marcaram a História só foi reconhecida anos após a sua morte. Infelizmente, é o preço a pagar por se ter nascido antes do seu tempo. O meu apelo é que não se cometa esta ignomínia com Sua Majestade, o Príncipe da Fuzeta, e se reconheça a sua importância, enquanto ainda é vivo.

Em primeiro lugar porque o espírito de iniciativa é sempre de louvar! Decerto, muitos de nós já pensaram, quando agastados com qualquer situação, “aí se eu mandasse aqui isto seria tudo muito diferente… Havia de ser o rei disto!”. Francisco Candeias pensou e… concretizou! Esta é a Startup mais ambiciosa de sempre. Se todas as freguesias se tornassem estados soberanos e independentes de Portugal (mas sempre com “Intenções Pacificas e Livre de armas”, conforme está no site da Fuzeta), se calhar teríamos todos melhor qualidade de vida, a riqueza era distribuída de forma mais equitativa e não haveria tanto bandido a fazer falcatruas. Hoje não se compreende Francisco Candeias. Mas amanhã vai ser imitado. Recordem estas palavras.

A biografia de Sua Alteza

O site deste fascinante principado encontra-se muito completo e bem documentado, tendo inclusive uma minuciosa biografia do simpático monarca cuja leitura é absolutamente arrebatadora. Primeiramente, a escrita é impecável e cativante, retendo a atenção do leitor do primeiro ao último paragrafo. Depois, porque ficamos a conhecer pedaços suculentos de informação sobre Sua Majestade, tais como que concluiu a “4ª classe em estado de adulto”, trabalhou na pesca do bacalhau, cargo que abandonou para se dedicar à nobre arte de tocar acordeão. Estranhamente, este novo ofício também não rendeu e o futuro monarca teve de emigrar, conseguindo inúmeros louvores laborais, conseguindo lá fora o êxito que não conseguiu na sua pátria. Eu gostaria de destacar o facto de ter ajudado a “construir uma canalização que existe no Médio Oriente”. Mais específico era difícil.

Depois de conquistar o estrangeiro, Sua Majestade volta a Portugal, onde o seu carácter de grande líder começa a emergir. Assim, já nos derradeiros anos da ditadura, é eleito Deputado à Assembleia Nacional, eleito pela freguesia de Moncarapacho. Naturalmente, personalidades desta dimensão encontram-se sempre sob a tenebrosa ameaça do terrorismo transnacional, que viram em Francisco em alvo a abater. Por isso, relata o próprio rei que “um cartão de Marcelo Caetano salvou-o, certa vez, em Paris, de um ataque de uns árabes armados”.

Mas na época, até o terrorismo tinha mais maneiras que o de hoje em dia. Na altura, um individuo antes de arrebentar com outro e espalhar bolonhesa pelo passeio questionava sempre primeiro:

 “Bom dia, peço desculpa por incomodar, mas foi-me pedido que pusesse termo à sua existência. Tem algum cartão de um líder político que o possa salvar deste assassínio infame e cruel?”.

Felizmente, Sua Majestade tinha. Obrigado Marcelo.

Sua Majestade já foi capa de prestigiadas publicações

O Plano de Governo da Fuzeta

Para além da sublime biografia, Sua Majestade deu-se ao trabalho de elaborar um meticuloso Plano de Governo. Segundo o príncipe, a qualidade deste documento “foi elogiado por um Instituto de Inteligência Humana na Europa”. Se fosse um de Inteligência Animal teria mais credibilidade, mas essa é apenas a minha opinião. Mesmo que não tenham tempo para ler o documento todo, não deixem de passar os olhos pela primeira frase. Deleitem-se e não precisam de agradecer

“Aqui não vinga a República das Bananas, espero que não tenha que tomar certas decisões, que não desejo, para impor a ordem publica: sobre certos assuntos mais delicados. Como por exemplo a expulsão pela força” in Programa do Governo

D.Francisco I, Rei da Fuzeta

Apesar de todo o brilhantismo do conteúdo do site, houve uma passagem que me deixou profundamente perturbado: “Hoje dedica-se à agricultura, à pecuária e tem cinco viveiros de ameijoas em Cacela e na Fuzeta”.

É triste, mas é este o estado da monarquia no nosso país. Nada contra quem cultiva o viveiro do simpático marisco (hoje em dia com a mariquice do politicamente correto iria ter já meia dúzia de trolhas a defender quem se dedica à cultura de viveiros). Mas a verdade é que não vemos o rei espanhol ou a rainha de Inglaterra a lavarem bivalves para subsistirem.

“E porque não mandam, esses senhores ocupar as Ilhas Canárias que já foram Portuguesas? Porque ai não vão encontrar, um Francisco R. candeias humilde e indefeso, mas sim talvez uma poderosa Esquadra de Guerra Espanhola a fazer-lhes frente, mas este Principado está desarmado sobre armamento de guerra por enquanto, por isso continuam ocupando este local, á vontade sem resistência; é uma cobardia ocupar Territórios alheios, e indefesos”
in Programa do Governo


D.Francisco I, Rei da Fuzeta

O par de testículos reais

Tenho de tirar o meu chapéu e fazer uma profunda vénia à dimensão estratosférica do par de testículos de Sua Majestade, que embora seja o monarca de um pequeno principado, avisa logo os gulosos dos espanhóis que não se podem esticar, dizendo:

“Tenho já um ofício Oficial para avisar o Governo de Espanha que não admito que os barcos de Espanha pescam nas águas pertencentes a este Principado, sem a minha autorização”.

A marinha espanhola já está a tremer depois de ouvir isto. Filipe VI começa a ter suores frios só de pensar na meia dúzia de traineiras para a caça da ameijoa a desembarcarem nas suas terras para invadirem a sua amada Espanha. Quando virem o Barcelona e o Real Madrid jogaram na Iª Liga da Fuzeta não digam que eu não avisei.

“Que fico bem claro, para aqueles que não querem contestar pelas regras democráticas, mas teimem contestando pela força, esta Real legitimidade; por ainda continuarem ocupando algumas partes, pertencente a este mencionado local, e também alguns elementos, ao serviço do Governo da Republica Portuguesa que é bem patente, á vista geral, digo com toda a clareza, que é bem patente e pergunte?: quem autorizou a Delegação Marítima da Fuzeta pertencente ao Ministério da Defesa Nacional, a estalar-se neste local?”

in Programa do Governo


D.Francisco I, Rei da Fuzeta

A mensagem final

Há, no entanto, uma frase do príncipe que me tocou bem cá no fundo:

“Não tenho partido, nem religião, porque para uma pessoa se filiar em alguma coisa tem que obedecer a regras e eu regulo-me pela justiça”.

É impressão minha ou o nosso amigo monarca está aqui a fazer uma crítica social bem sagaz ao setor político e religioso? Sim senhor, não posso deixar de concordar! Eu bem avisei, logo no início, que o homem era um visionário!

Aliás… Quando ouvirem falar no principado de Carcavelos podem começar a tratar-me por D. Francisco I. O cognome deixo à vossa consideração, aquele que tiver mais votos nos comentários será o que adotarei quando abraçar a realeza. Promessa de príncipe. É desta que deixo de ser violado todos os anos pelo IMI!

E ai de quem se atreva a pescar nas águas de Carcavelos. Não tenho nenhuma traineira, mas tenho duas braçadeiras, que quando bufadas ao máximo me ajudarão a nadar até aos meliantes.