Sushi

Sushi

Dezembro 16, 2018 0 Por Francisco Ramalheira
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Há uns anos fui arrastado para um jantar no sushi por uma manada de indivíduos que se dizem meus amigos.

Contudo, devo confessar que o conceito de ingerir peixe cru, devidamente acompanhado por algas com cheiro a água de tanque de peixes que não é trocada há dias não me agradava particularmente. Mas fui de coração aberto e mentalidade moderna, pronto a experimentar coisas novas. Novos sabores. Uma nova experiência. Uma parte de mim estava tremendamente curioso para experimentar a nova moda que tantos apregoavam como se da vinda do Messias se tratasse.

Detestei.

Ia-me gregando todo.

Desde então, nunca mais um singelo peixe mal cozinhado entrou nesta boquinha santa. Sou até dos defensores de que este nosso fiel e escamoso amigo fica mais suculento quando é devidamente confecionado. Para mim comida crua só as gomas. E, mesmo essas, sob a derivação dos marshmallows, ficam melhor depois de levarem um cheirinho de lume.

No entanto, como todos sabem, nos últimos anos no nosso querido país surgiu a impiedosa moda do sushi. De repente, era altamente moderno degustar estas postas de peixe mal-amanhado. Escusado será dizer que fui um dos mártires que nestes últimos anos sofreu da perseguição impiedosa do grupo terrorista apelidado de “amantes de sushi”, que parecem não conseguir viver em harmonia quando sabem da existência de alguém que não aprecia esta iguaria oriental, tentando, a tudo o custo, converter os infiéis, atingindo um grau de insistência que coraria o mais veterano dos Testemunhas de Jeová.

Assim, frases seculares como: “tens de comer mais vezes! Eu também não gostei à primeira!”, “não comeste um bom sushi ou “Vamos a um sítio que eu conheço na baixa e vais adorar!” (arrotas é 50 paus…) são tiradas clássicas deste culto do sushi que não admitem que alguém não tenha os mesmos gostos que eles.

Todavia, depois de anos de perseguições infames, não aguentei mais.

Cedi. Fui fraco.

Voltei a experimentar sushi.

Dizem que é sinal de inteligência experimentar coisas novas. É sapiente dar uma segunda oportunidade e remar contra as ideias pré-concebidas que possamos ter. Os nossos gostos mudam a toda a hora. Há que não ter receio e abraçar as novas oportunidades que a vida nos dá! A vida são dois dias. Não podemos deixar nada por fazer ou por dizer.

Esperançado em ver a Luz (talvez a mesma que viu Luís Filipe Vieira, e que o levou a manter o Rui Vitória no cargo de treinador da equipa principal do Sport Lisboa e Benfica) voltei a ingerir os tão badalados e famosos víveres.

E a verdade é que voltei a detestar aquela merda.