Joana Gama

Joana Gama

Dezembro 13, 2018 0 Por Francisco Ramalheira
Partilhai e espalhai a mensagem gambuziana

Não poderia começar esta amálgama de palavras sem realçar a prontidão da Joana em aceitar o meu amalucado repto, respondendo com um singelo, mas altamente motivador, “I’m in“, poucos minutos após ter recebido o meu convite para uma conversa arraçada de entrevista sobre humor e sobre a humorista. 

De gargalhada fácil e detentora do cada vez mais raro dom de deixar uma pessoa à vontade logo nos primeiros segundos da conversa, nas linhas abaixo vou tentar fazer uma bonita súmula sobre tudo aquilo que foi conversado com a Joana.

A “entrevista” teve início num tom deveras eloquente, com dissertações sobre o humor, a sua importância no dia-a-dia e as suas fronteiras, com a Joana a dar uma visão muito pessoal sobre o que para si significa esta ferramenta fantástica, que serve para trazer um bocadito de cor aos dias mais cinzentos. As frases proferidas foram de tal maneira profundas e poéticas que, amiúde, vou polvilhar este texto com algumas delas em forma de citação. Algumas são de tal forma bonitas que, em breve, vou traduzi-las para latim e tatuá-las no meu lombo. Depois mostro os resultados.

O humor é fundamental para nos ajudar a lidar com as fases mais difíceis da nossa vida. Tira peso aos problemas. Torna-os mais fáceis no momento, mesmo que fiquem a acumular para serem resolvidos mais tarde.”

De seguida, encarnei a minha santa avó e liguei as antenas da cusquisse, inundando a minha pobre interlocutora com várias perguntas sobre a sua vida.

Ao entrar na idade adulta, tal como tantos jovens desnorteados, a Joana fez aqueles fantásticos testes psicotécnicos, que lhe indicaram que a sua felicidade e realização profissional morava no sempre excitante curso de Direito. Ainda hoje a Joana está convencida que os seus simpáticos progenitores subornaram o tipo que lhe fez os testes, na esperança de que isso a convencesse a abraçar uma respeitável carreira na advocacia.

Perante estes esclarecedores resultados, a Joana, naturalmente, quis entrar no conservatório. Mais concretamente para o curso de teatro, mandando os testes psicotécnicos a um sítio muito feio. 

  • – Nota do autor: esse sitio feio é aquele cuja terminologia termina com o nome de uma planta perene cujo bolbo, composto por folhas escamiformes, pode ser usado para temperar comida ou para fins medicinais: o “alho”.

No entanto, rapidamente concluiu que o seu futuro não passaria pelas nobres artes cénicas, pelo que arrumou a sua trouxa e rumou à Universidade Católica, para estudar Comunicação Social.

Num belo dia, resolveu enviar o seu ainda imberbe currículo para a sua rádio preferida, a Mega-Hits, com a máxima na cabeça de que “deve ser giro trabalhar com aquela malta” e que “não se perde nada em enviar o currículo”. Pouco tempo depois começou o seu estágio.

“O humor é uma ferramenta que uso para me adequar socialmente; é uma excelente forma de as pessoas gostarem de mim”.

Foi na Mega que Joana se apercebeu que o seu sentido de humor era um elemento diferenciador. Até então, era “apenas” uma característica sua, não conseguindo avaliar o seu alcance. Só quando entrou no mercado de trabalho e começou a trabalhar com os seus pares é que se apercebeu que a sua visão sarcástica e satírica dos acontecimentos do dia-a-dia não eram, afinal, assim tão comum. Não a faziam especial, nem melhor ou pior que os seus colegas. O seu sentido de humor “apenas” fazia da Joana… a Joana.

Percebendo que o humor a fazia “sentir-se em casa”, resolveu participar em diversas formações, achando que poderia ter graça participar num workshop de Stand Up Comedy.

E teve.

Tanta que a Joana decidiu continuar a fazer piadas de pé.

Pouco tempo depois de ter iniciado esta aventura, estava a estrear-se na televisão, mais concretamente no já mítico programa “5 para a Meia Noite”, sendo uma das convidadas do Luis Filipe Borges para o desafio Speed Battle.


Como a coisa até parece ter corrido bem, a SIC Radical convida-a para participar em algumas rubricas no Curto-circuito, assim como fazer a cobertura de festivais de música. Felizmente estas participações foram feitas na época do YouTube, pelo que há registos dos tesourinhos abaixo indicados, que servem para goza…homenagear a Joana!

No entanto, a sua vida profissional foi interrompida em 2014, quando um pequeno ser, de seu nome Irene, resolveu aparecer. Obrigada a estar em casa devido a essa tirania denominada por licença de maternidade, a Joana começou a ressacar com a falta de trabalho na área da comunicação. Precisava de fazer alguma coisa!

Na altura, fazia parte de um grupo na internet com outras mães, com quem partilhava experiências e emoções típicas da gravidez e dos primeiros tempos do pós-parto. Vendo naquele grupo de interajuda uma oportunidade de “criar uma coisa engraçada”

“Estou sempre à procura de conteúdos em todo o lado. Em todos os momentos do dia-a-dia há situações que podem ser transformadas em conteúdos vendáveis e humorísticos”

Juntou-se a uma dessas mães – outra Joana, também licenciada em comunicação social – e juntas criaram “A Mãe é que sabe“, um dos blogues de maior sucesso nacional, especificando-se na área da maternidade, com as suas criadoras a partilharem com o seu vasto auditório as suas experiências pessoais enquanto mães. Quer as boas, quer as menos boas.

“Humor serve para aliviar a tensão e nos dar prazer e alegria, nem que seja por breves momentos”.

Recentemente, a Joana foi convidada pelo Sapo para uma rubrica semanal de Lifestyle (sabes que subiste na vida quando fazes uma rubrica com um estrangeirismo. É sofisticado para xuxu). Para estes vídeos, a Joana recorre às suas experiências pessoais para criar o conteúdo dos seus vídeos, hiperbolizando e satirizando situações comuns, de forma hilariante e original. 

De seguida, veio aquele momento da praxe, em que o tipo que faz perguntas quer saber coisas sobre os projetos futuros da entrevistada. Assim, nos próximos tempos a Joana tem como intuito:

  • Começar o seu podcast (o “Podgama da Joana?);
  • Continuar a apostar no seu blogue e reformular alguns conteúdos (e dotar o mesmo de um maior pendor humorístico);
  • Espetáculo de Stand Up com mais comediantes sobre a maternidade e paternidade – a realizar muito em breve!;
  • Criar o seu próprio espetáculo a solo de Stand Up.

A partir deste último ponto, a conversa desenrolou-se por uma miríade de temas sem qualquer tipo de relação entre si, tais como como histórias infantis, escuteiros, religião ou pénis. Atrás da Joana estava um senhor já com alguma idade e de semblante simpático, que se encontrava pacatamente recostado na sua cadeira a ler o jornal. De vez em quando, os seus olhos enrugados saltavam das folhas do vespertino de qualidade duvidosa que estava a ler e repousavam na Joana.

Até que a menina da comédia falou em pilas (um tema que não veio à baila de forma aleatória… Foi num contexto laboral que este tema peniano foi lançado para a mesa. Somos gente séria). 

E aí o sorriso terno do velhinho desapareceu. Parece que, para este simpático ancião, quando o vocábulo “pila” entrou em campo, equipado a rigor e tudo, o mundo tinha acabado. Abrindo a boca de espanto, os seus olhos esbugalhados procuraram-me. Talvez, inocentemente, à espera que eu pusesse cobro a esta infâmia e indecência.

Não pus.

Mais. Alimentei tão salutar indecência, dizendo à minha simpática interlocutora que adoraria ver um espetáculo de Stand Up com esse tema. A ideia era tão amalucadamente brilhante que acho que até um velhinho amante dos supostos bons costumes iria dar umas boas gargalhadas.

E é para isso que o humor serve.

Foram estes os olhos que o senhor idoso fez ao ouvir a palavra proibida

Foram estes os olhos que o senhor idoso fez ao ouvir a palavra proibida

Em jeito de conclusão, vou fazer aquilo que tanta gente adora fazer: tirar conclusões sobre alguém que (ainda) não se conhece bem. Parece ser giro. Mas para ser original, em vez de fazer comentários depreciativos vou dizer bem da pessoa em questão.

Eu sei, eu sei… Parece uma enorme estupidez. Mas eu estou aqui para ser disruptivo.

Há duas coisas de que eu tenho enorme inveja das crianças. A primeira é, obviamente, o tamanho obsceno das suas férias de verão; a segunda é a simplicidade. Se um puto está num parque e quer brincar com outro, simplesmente vai ter com ele e convida-o. Mesmo que não o conheça de lado nenhum. É isto que muitos de nós perdemos durante a viagem que é deixarmos a infância para nos tornarmos adultos.

É de saudar quem não perdeu isto. E, por isso, tenho de saudar a Joana, não só por ter aceite “o meu pedido para brincar” (isto é uma metáfora embebida com o imaginário infantil, ok? Não conspurquem já estas bonitas palavras, seus badalhocos…), mas também por se ter mostrado imediatamente disponível para colaborar e ajudar a difundir outros projetos da minha pessoa.

“Se queres que um projeto tenha sucesso, tens sempre de pensar em grande”

Para além disto, a Joana tem genuinamente piada. E tem trabalhos genuinamente bons. Por isso estejam atentos ao seu canal de vídeos no sapo, sigam-na no Instagram e no Facebook e estejam atentos aos seus novos projetos, os quais tenciono divulgar e comunicar neste espaço ainda recôndito da web.