Final Fantasy VII

Final Fantasy VII

Dezembro 5, 2018 0 Por Francisco Ramalheira
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1997 prometia tornar-se um ano complicado para a humanidade, que viu falecer de uma assentada Madre Teresa de Calcutá e a Princesa Diana. Mas, no final, foi lançado Final Fantasy VII (FFVII). Por isso, a avaliação final de 1997 acabou por ser positiva. E não estou a menosprezar a simpática freira ou a carismática princesa. FFVII é que é demasiado bom.

Estamos no Natal de 1997. Época de paz, amor e fraternidade. Mas, mais importante do que isso, tempo para aproveitar a quadra festiva para pedinchar um jogo novo, pois o preço avultado dos mesmos é impeditivo que os recebamos noutra altura do ano.

Este é um jogo com excelentes atributos
Este é um jogo com excelentes atributos

Eu, tal como tantos outros putos daquela época, nunca tinha pegado num RPG tipicamente japonês, mas havia qualquer coisa em FFVII que me fascinava sempre que via vídeos do jogo no não menos mítico programa da SIC, o Templo dos Jogos. Não sei se eram os visuais arrebatadores, a promessa de uma história fantástica ou o facto de o personagem principal ter um penteado parecido com o do Son Goku, mas a verdade é que algo me dizia que iria adorar aquele jogo.

Aaaah como tinha razão!

Mas não comprovei que estava certo logo em 1997. Razão? Não pedi FFVII para o Natal. Razão? Não tinha uma PlayStation. Os meus pais diziam que a Mega Drive e o Game Boy eram mais do que suficientes. Quem era eu para discordar da sua infinita sapiência.

Obrigado avó

Pude, finalmente, experimentar este clássico quando a minha santa avó foi iluminada por algum ente divino, a quem devo muito, e resolveu comprar para casa dela uma PlayStation, antevendo que aquela maravilhosa caixinha cinzenta fosse a porta de entrada para umas férias mais calmas, entrendo-me a mim, ao meu irmão e aos meus primos.

Mal pude comprei este maravilha de 3CDs, louco para testemunhar por mim mesmo se tudo aquilo que se dizia na imprensa especializada e no recreio da escola era, ou não, verdade.

Foi amor à primeira vista. Bastaram estes 3 primeiros minutos de jogo do vídeo baixo para soltar uma pinguinha nas minhas cuecas da Cenoura.

Intro do jogo

Nesta altura era uma criança no final da primária, pelo que o meu inglês ainda era muito básico, pelo que me lembro de estar sempre agarrado ao dicionário, para poder perceber os diálogos todos e conseguir perceber o fantástico enredo do jogo. Chupem todos aqueles dinossauros que dizem que os jogos não ensinam alguma coisa às crianças! FFVII foi o meu melhor stor de inglês.

O jogo

Final Fantasy VII é um RPG produzido pela Squaresoft tendo sido o primeiro titulo da série a utilizar gráficos 3D e foi o primeiro a ser distribuído na Velho Continente. 

A produção de Final Fantasy VII começou em 1994 e o jogo estava originalmente planeado para ser lançado na Nintendo 64, mas os cartuchos da Nintendo não possuíam a memória necessária (principalmente para as famosas sequências FMV), e a Square iria ter de capar muitas das ideias que tinha para o projeto, pelo que decidiu lança-lo na PlayStation, contribuindo também para esta decisão as condições muito favoráveis oferecidas pela Sony.

O jogo conta-nos a história de Cloud Strife, um mercenário a serviço de um grupo de ecoterrorismo denominado AVALANCHE que tem como objetivo derrubar a empresa Shinra, uma multinacional que não se preocupa minimamente com os problemas ambientais que a sua atividade provoca e que estão a destruir o equilíbrio do planeta. O seu presidente é, claramente, um discípulo de Trump.

Um dos pontos fortes do jogo é mesmo a qualidade da narrativa e as fantásticas personagens, sendo um dos raros RPGs em que a evolução da personagem principal é excelente ao longo do jogo, sendo que, à medida que a narrativa avança, mais vamos gostando de Cloud, Barret, Tifa, Red e do resto da malta, ficando mesmo preocupados com o que lhes pode acontecer. Até porque após os eventos que culminam o primeiro CD do jogo, temos a noção de que em FFVII pode mesmo acontecer qualquer coisa.

Final Fantasy VII é, merecidamente, considerado como um dos melhores jogos de todos os tempos, tendo sido um autentico sucesso para a Squaresoft, vendendo 2,5 milhões de cópias em apenas num fim-de-semana, e 9,8 milhões de cópias até hoje, batendo o recorde de vendas da série e estimulando a venda da PlayStation.

É um marco em desenvolvimento técnico e artístico, sendo considerado como um dos jogos mais influentes da história dos videojogos e, na opinião de muitos, como um dos fatores decisivos que deu à Sony um grande empurrão para liderar o mercado na sua primeira experiência no mundo dos videojogos, pois foi a partir do lançamento deste clássico que as vendas da PS1 disparam mundialmente, e a consola começou a ter um volume de vendas que a Nintendo 64 e essencialmente a Saturn nunca conseguiram acompanhar. 

Se há jogo que me coloca um sorriso no rosto sempre que penso nele, esse jogo é Final Fantasy VII.

E para vocês? Qual foi a vossa experiência com esta obra-prima da Square? Usem a caixa de comentários para nos falaram de Final Fantasy VII!