A era dourada dos videojogos – Mega Drive vs. SNES

A era dourada dos videojogos – Mega Drive vs. SNES

Dezembro 3, 2018 0 Por Francisco Ramalheira
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Na ainda curta história dos videojogos, a quarta geração foi, muito provavelmente, aquela que marcou e que mais recordações deixou em jogadores de todo o mundo, ao ponto de ser referenciada por muitos como a golden age desta forma de entretenimento.

Desta geração fazem parte consolas míticas como a Mega Drive (MD) e a Super Nintendo Entertainment System (SNES), consolas da Sega e da Nintendo, respetivamente, que marcaram todos aqueles que tiveram a sorte de nelas jogar.

Mas será que todo este entusiasmo e vedetização da época 16 Bits tem razão de ser? Ou será que a nostalgia leva a melhor e não deixa que milhões de jogadores avaliem coerentemente estas duas máquinas? Afinal, convém não esquecer que na primeira metade dos anos 90, praticamente a totalidade da percentagem dos jogadores eram crianças ou adolescentes, sendo por isso natural que guardem com mais carinho as memórias desses tempos, em que não havia jogos online e o multiplayer tinha de ser local, como tem de ser, com insultos e ameaças de porrada, misturados com incríveis sessões de gozo para com quem perde. 

Na minha opinião a resposta à questão formulada no parágrafo anterior é um contundente SIM! Admito que a minha opinião seja influenciada pelos meus extremamente grossos “óculos de nostalgia”, mas vou passar desde já a explicar o porque de defender que a saudosa época dos 16 Bits ter sido mesmo especial.

Em primeiro lugar, depois de uma geração em que a NES monopolizou o mercado, foi declarada uma “guerra aberta” entre a Mega Drive e a SNES, em que valia tudo para conquistar o primeiro lugar, aparecendo, pela primeira vez, publicidade agressiva (nomeadamente da parte da Sega). Cria-se então uma grande rivalidade entre Nintendo e Sega, e quem tinha a consola da Nintendo nem queria a Mega Drive e vice-versa! Incontáveis vezes foi debatido em inúmeros recreios de escolas de todo o globo o tema “qual é a melhor consola”… Debates esses que poderiam ser intermináveis, pois o que não faltava a cada uma das consolas era excelentes argumentos, leia-se jogos.

É exactamente a qualidade dos jogos que, a meu ver, marca esta geração. A grande rivalidade entre as duas companhias originou uma verdadeira corrida por grandes jogos exclusivos, e sempre que um grande jogo era lançado numa consola, era normal ver outro do mesmo género aparecer pouco tempo depois na consola rival. Uma espécie de Guerra Fria, em que a corrida desenfreada ao armamento foi substituída pela busca incessante de grandes jogos.

Foi, aliás, esta constante busca pelo melhor software que originou o nascimento de Sonic, pois a Sega sabia que para lutar de igual para igual com a Nintendo, necessitaria de ter uma mascote forte, que pudesse destronar Mario, o canalizador pançudo e de farta bigodaça, que quando deixar de ter pedalada para estar nos videojogos pode, perfeitamente, abraçar uma carreira no mundo do entretenimento para adultos.

Numa altura em que a Internet fazia parte das séries de ficção científica e as revistas dedicadas ao tema dos videojogos eram escassas e, na generalidade, bastante amadoras, muitos eram os que compravam videojogos “às escuras”, guiando-se muitas vezes pela capa e pela opinião de amigos. A sorte de muitas crianças é que a quantidade de lixo em formato videojogo era bastante diminuto, comparativamente com o que vemos atualmente. Na época, ao tirarmos aleatoriamente um jogo da prateleira era bastante provável que tivéssemos em mão um bom jogo, isto porque a Nintendo e a Sega preocupavam-se com a qualidade do software que era feito para as suas consolas, incentivando as produtoras a criar bons jogos (o famoso “Nintendo Seal of Approval”). Hoje em dia esse espírito já foi perdido numa indústria sequiosa por dinheiro, em que resmas de sequelas polvilham as prateleiras e muitas tem menos qualidade que a música da Maria Leal e mais repetitivas que as canções do mestre Tony Carreira.

A conclusão da “guerra”

No final, a mais renhida e sangrenta guerra nos videojogos acabou por dar a vitória à Nintendo, com a SNES a vender cerca de 50 milhões de consolas, enquanto que a consola da Sega se ficou pelos cerca de 30 milhões, sendo prejudicada por decisões ruinosas como a Mega CD ou a 32X. E a Nintendo foi, certamente, beneficiada pelo charme de macho latino de Super Mario. Quantas donzelas não terão adquirido uma consola da Nintendo apenas para poderem saltar com o Mario… 

Eu considero-me um felizardo por ter vivido de perto esta geração e, por vezes, tenho pena que a necessária e importante massificação desta indústria tenha eliminado e inocência e criatividade que caracterizou as primeiras gerações de videojogos, em que o mais importante era criar um jogo divertido.

E vocês? Que memórias tem destas míticas consolas?